27.3.06

S-H-E

Elvis Costello
Notting Hill OST -(1997)
She
She may be the face I can't forget
The trace of pleasure or regret
May be my treasure or the price
I have to pay
She may be the song the summer sings
May be the chill the autumn brings
May be a hundred different things
Within the measure of a day
She may be the beauty or the beast
May be the famine or the feast
May turn each day into a heaven or a hell
She may be the mirror of my dreams
The smile reflected in a stream
She may not be what she may seem inside her shell
She who always seems so happy in a crowd
Whose eyes can be so crowded and so proud
No one's allowed to see them when they cry
She may be the love that cannot hope to last
May come to me from shadows of the past
But I'll remember till the day I die
She may be the reason I survive
The why and wherefore I'm alive
The one I'll care for through the rough in many years
Me, I'll take her laughter and her tears
And make them all my souvenirs
For where she goes I've got to be
The meaning of my life is she
She
Ooh
She

26.3.06

A/C

dos Blasfemos* o que se divulga neste link.
* Dos chamados "blogs de referência", o ex-Matamouros é o único que me vai inspirando respeito. Tudo o mais se dilui numa paisagem conformista, hipócrita, presunçosa. Como é sabido - pelo menos desde os Gregos - aquilo que em nada nos acrescente será, inelutavelmente, votado ao esquecimento: o país já tem inépcia a mais.
Esta conclusão (que já transparece no Azimutes desde 2003) não é alheia à defesa de ideais assentes na regionalização. Porque só exigindo mais se consegue mais. A baba que se excreta nos lusos blogs é proporcional à aplicabilidade da frase bíblica «Vaidade, tudo é vaidade». Como sabemos, a vaidade não frutifica: torna abúlicas, ancilosadas, desprovidas de originalidade as mentes do séquito. O país dispensa o séquito. Detentora de um carro alemão que funciona bem, concluo que sou mais dada à eficácia do que às simpatias. Se à eficácia se soma simpatia produtiva, a vaidade será apenas um factor infinitesimal. Neste caso, a minha nem sequer é quantificável: punição, sempre que a vaidade intelectual me acena, porque o corpo, mera embalagem da alma, não entra na equação.
Hoje (por causa das cócegas no ego), proíbo-me de comer mais gomas com açúcar!
Pim!
Toma lá qu'jálm'çastsh!...
:0(

25.3.06

Erase & Rewind

Hm-hm-mm / Hm-hm-hm-mm...
ou de como nem tudo o que é repetitivo é forçosamente mau...
Excelente para ouvir no carro!

The Cardigans

23.3.06

E se fosse connosco?...

O blog de Altino Torres alerta para um caso necessitado de resposta urgente. O miúdo a que se refere poderia ser um dos meus alunos, um qualquer miúdo da minha escola, um dos meus sobrinhos. Não é. Deveria agora dar Graças a Deus?... É ridículo termos de nos imaginar na pele de quem sofre para darmos verdadeira importância a casos como este. Lamento, mas limito-me a esse tipo de incapacidade para ser realmente generosa. Imagino-me na pele de; sofro; igualo-me; ajo... Agirei?...
Notícias destas deixam-me inquieta, com vontade de me meter à estrada, de agir, de levar eu mesma as vítimas de doença(s) ao hospital, de mover céu e terra para que nada fique por tentar. Mas... faço-o, de facto, perdida que me sinto entre tantos afazeres da minha "vida real"?... Como as maiorias, abrando ao nível das boas intenções... Seguro embraiagem, entristecida, mas sigo caminho. Como milhões, vou pensando que não serei eu a fazer a diferença e... acomodo-me.
Quando se trata de crianças ou adolescentes, cada vida é infinitamente preciosa. Pergunto-me muito porquê. E sei a resposta: com trinta e seis, posso dizer que vivi. Com qualquer idade até aos 20, 25, não se viveu, de facto. Ponto final.
Ser mera observadora destes casos agita-me. Há que fazer alguma coisa!
Por algum motivo, alguns são escolhidos para, ao suportarem o terror da morte anunciada (quem aceita de bom grado a morte de uma criança, de um adolescente?), fazerem pensar aqueles que, usufruindo de saúde, se perdem com minudências do dia-a-dia. Sei de quem hoje teve casa inundada, de quem tenha tido acidente rodoviário, de quem recebeu más notícias ou foi perseguido por vizinhança em equilíbrio precário. De alguma forma, as notícias chegam-me...
A notícia de que aqui não se dá conta é, de facto, uma NOTÍCIA. Apenas passo palavra.
É preciso:
2. procurar o contacto da escola no link aqui indicado: está no rodapé da página oficial)...
Pode ser muito útil, um blog, da mesma forma que um acontecimento como este é, seguramente, o pior que pode desabar sobre uma família. Amanhã contactarei a escola referida - onde conheço colegas - e indagarei do caso e de como posso ser útil.
...E o meu leitor? Ficará impassível?...

22.3.06

Nano... micro... giga!... mega!... genial!

N.B.:Ver os extras dos filmes no final clicando em ícones ou no bunny, sobretudo os marcados com *
«-I liiiiike George...»
«-You like every boy!»
«-What's wrong with that?...»
:0)

:o)

Ah ah ah, risota!


Mais do mesmo assunto...
&...
Quando é que a publicidade do meu país
passa a ser assim?...
:o) Delícia!

21.3.06

Poesia Prosética

Assim era.
Por vezes, acontecia.
Os momentos estagnados eram um concerto com as cordas de violino partidas.
Não gostava disso.
Estes lapsos em que a vida se esquece de nós - o tempo de esmorecer - sabiam-lhe a qualidade nula.
Aplicava-se, então, na tarefa de juntar numa mão - a esquerda - um feixe dos longos cabelos que trazia presos na nuca e, calmamente, vasculhar varrendo de olhares a amálgama.
Invariavelmente, a luz revelava o fio branco-prata que lhe percutia os trintas avançados.
Isolava-o.
Tomava-o entre indicador & polegar direitos e, com esticãozinho seco, afastava o traidor, a mácula que o tempo semeia a despeito de elixires vários, sexo com parcimónia, vida em tudo regrada.
Sorria sempre que, com afilados caninos, os tremoços profissionais cuspiam as loas do costume: "quem se preserva não vive"...
O seu riso lupino reflectia-se em espelhos de divagação nocturna.
Muito do que era lhe ficava nas entrelinhas.
Limitava-se a agitar a pombalina cabeleira enquanto, no carro, ouvia um qualquer sucesso dos 80's silvado a plenos pulmões.
Poderia sempre lançar-se da falésia em parapente, praticar oxes em mero tantra, rir do instrutor de Tai-Chi que lhe ensinava fluidez e se encolhia quando lhe tocava a pele vibrátil da ponta de um seio. Ela até tinha dois, portanto.
A Primavera chegara com a Poesia pendurada em árvores.
Rindo de também isso, juba solta, deliciava-se em prazeres estéreis como esgazear pela beleza do seu riso Juliarobertiano os outros condutores, afagar o seu gato numa cócega de pés nus, comprar dois pardais-de-Java e um vaso de margaridas amarelas como a gema de ovo coberta com muito sal que trincava dentro de um pão com chocolate preto.
Em honra ao dia, bebeu um copo de água.
Foi dormir: havia testes para corrigir e a ela não lhe apeteciam prazeres afónicos.
Chamou pelo telefone o seu homem. Ele veio. Do resto, la ra la ra la ra... com muitos émes de mmmmm.
Todos sabemos viver: comecemos por experimentar!
O prazer maior é o das mais simples coisas.
Pim!

Persistências

Os meus mais fiéis leitores são três 85.138. Um, é o **; outro, o **; outro ainda o ***. A estes amáveis curiosos não se aplicará, estou certa, o pior insulto que ouvi ser feito a um ser humano. Não, não se trata de desocupados(as), definitivamente. É gente com esperança na minha capacidade para o verbo. Serão, estou certa, diligentes chefes(as) de família, másculos(as) q.b., o que não obstará a que as crianças já tenham o banho tomado e a sopa meia-digerida, por estas horas. É pela noitinha, pelo ar fresco que melhor lhes sabem os meus singelos posts. Muitas vezes tenho formulado enigmáticos retratos-robot dos meus leitores. Estes três casos são paradigmáticos: quase poderia jurar que cigarros fumam, que chá bebem, que canais de tv consomem, em que lojas se vestem, que carros conduzem, que calão mais usam e se têm "muletas linguísticas" como "percebes", "querida(o)", "não é?", se têm ou não vida espiritual baseada em crenças.
A humildade leva-me a perguntar a estes botões que me descem pelo macio casaco azul-bebé o que atrairá tais devotos a este minúsculo blog... Não raras vezes, congemino estórias em que participam estes leitores. Um dos elementos (da feminina espécie) assemelha-se à incarnação humana de Miss Piggy e tem voz estridente (talvez ressone), fala alto ao telemóvel, lança com violência para trás cabelos tingidos de sol, vive sem peias, gosta do choque do que é histriónico mas esconde fragilidades que me entreterei a esmiuçar no romance que terminarei no Verão. Esta personagem - demasiado desequilibrada para existir e não passando de imaginação selvagem desta minha mente de private eye - gosta muito de rir nos entremeios da vida, mas tem esparsa dentição que, nos interstícios da boca rasgada, por sobre o triplo queixo deixa adivinhar vazios onde nem sempre brilham estrelinhas de Hollywood por pouco uso de fita dental e um certo desleixo com a saúde. Há qualquer coisa de pré-fabricado no seu riso, nos seus gestos, na sua atrozmente aparente segurança... É um ser pensativo, mas pouco concretizador; popular mas pouco denso no que toca a circunvoluções cerebrais; de afanoso empenho mas pouca visão para voos quiméricos. Terei de lembrar-me de lhe acoplar infinitesimais rasgos de sentimentos ou espírito e uns modos bruscos que alguns traumatismos sociais deixaram como marca indelével. Será esta a figura burlesca. E isto é uma ordem (!) ao meu amolecimento natural face à criação de antipatias dos meus futuros leitores pelas minhas personagens!
Já que sou escritora e nunca igualarei "uma" Agustina Bessa Luís, isto serei pelo menos: omnipotente, omnisciente e omnipresente! Farei da minha "Miss Piggy" um must da literatura ocidental (talvez até a faça arrotar em público), uma "Quina" duma outra "A Sibila", uma desvirtuosa Madame Bovary de Oeiras ou das Telheiras, uma Mata Hari que flatos sazonais assaltem nos mais inconvenientes marcos da sua vida. Convenhamos: ela tem futuro! Como outras personagens que criei, arrisca-se a suplantar-me na quantidade de dóceis sorrisos de admiradores, qual uma tartaruga que ultrapassa a lebre. Então, só me restará suspirar: Senhor, criei um monstro!...
Vá-se lá perceber os porquês do nosso subconsciente! É interessante o que me aflora às percepções da intuição. Gente assim não existe, o que não deixa de conferir aos seres que invento um travo a pitoresco.
Como surpreender (ainda) quem tão bem conhece a minha escrita? Ideias nunca me faltaram, sabe-se que não me custa escrever: custa-me parar.
Hoje, lembrei-me desta singela homenagem, eu, que detesto a Primavera e os seus arroubos de entusiasmo. Neste dia da Poesia e da Floresta, fica a homenagem, com a esperança de que sejam mais harmoniosos os meus reais leitores do que os homúnculos e camafeus que me salpicam o hemisfério da foice cerebral direita, a das percepções extra-sensoriais. Da próxima vez, lembrem-me, por favor, de não me divertir tanto com a espécie humana. Escreverei, então, sobre cadáveres e/ou vermes: serei taxidermista e/ou entomologista.
Perdoem-me, sim? Já regresso à normalidade. Sou ciclotímica: a Primavera altera-me as sinapses...
:0'

Liberdade(s) de expressão?...

Até onde deve ir o humor?
Ninguém tem visto ser humano que ame morrer crucificado, mas...
O humor pode acabar mal?
Que pensariam do filme (link inferior)
os cidadãos auto-mobilizados e famílias?...
Disto, fez-se aquilo... ali abaixo, quase em rodapé...

:o(

20.3.06

Das Morfologias

Em França, para o melhor e para o pior, ainda se analisam os traços de morfologia dos rostos quando se trata de empregar alguém (ouvi também de casos recentes de análise grafológica, embora a belle écriture dos franceses seja policópia da maravilhosa regularidade do traço).
O povo - que (também) se engana quando trata de generalizar por aforismos - diz que "quem vê caras não vê corações". Creio que não, que o povo não vê corações onde vê caras. Muito menos vê almas, ocupado que está em ser aceite. Algo me certifica de que eu sim, vejo mais: nunca me enganei sobre o carácter de alguém quando lhe vi os olhos, lhe ouvi a voz, lhe analisei as reacções (por algum motivo certo ser vivo me apelidou de "microscópio com alma", não sabendo de como deste lado se adivinhava e sabia mais do que alguma vez será dado imaginar a cobaias).
A verdade é abrupta, mas há que enfrentar o facto: percebi muito sobre algumas pessoas no mundo-blogger quando lhes vi os rostos desvelados. Num dos casos, a criança que me ladeava afirmou:
" - Essa é uma senhora que sofre... não é?"
" - Não sei...", respondi.
Menti. Era cedo para aquele menino saber de como estava certo. Mais uma vez, eu sabia mais do que demonstrava. Tal como a criação artística não se compadece das máscaras dos outros, assim me compadeça eu da inocência infantil e não ensine o caminho das mágoas que os sortilégios das personas gostariam de ver crónicas.
Alguém que muito prezo tocava, há horas, no tema da sabedoria. Sabedoria é também isto: ler almas. Para refrigério de algumas, temos de ser actores dignos de Óscar. Apreciadora do que é independente, oponho-me às feiras de vaidades. Por esse mesmo silêncio me conduzo: o meu fio de prumo são os esgares doridos dos sorrisos, o ruído de fundo das vozes dos hipócritas que nota quem não se pauta pela cartilha do vácuo. Talvez por isso, todo o mal que se me acerca é fogo fátuo. Esvai-se no vazio da noite. Fica de fora. Anula-se. Rodeia-me apenas o que é justo no sentido das Escrituras de hoje. Justo como José ou David. Como o filho do segundo, pedi a Deus "A" sabedoria. Alguma me deve ter calhado em sorte: os rostos que vi de gente do outro lado do vidro correspondem às amarguras que lhes fluem de almas à deriva. Ruído. É gente imersa em ruído. A infelicidade tem muitas máscaras. Nenhuma delas enganou a criança ao meu lado. Sábia, ela leu nas entrelinhas, sem precisar de ser Salomão. Eu, que sei mais do que ela, teorizo: como poderiam vampiros do espírito, isentos de espírito falar do "espírito" dos outros?...
Considero que o que a Deus voltei a pedir hoje foi concedido também à geração que me segue. Edifico mais alto:
«(...)
Perdoai-nos as nossas ofensas
Assim como nós perdoamos
a quem nos tem ofendido.
E não nos deixeis cair em tentação*,
mas livrai-nos do Mal.
Amén.»
* A tentação em causa terá, quando muito, a forma da soberba (todas as virtudes passam a defeitos, é esse o humor divino): a morfologia de almas torpes não lhes permite camuflagens, mesmo que esta que aqui escreve acredite em fábulas por segundos.
Deus vela. Que eu - que O temo - seja livre da Sua Ira quando A Hora me soe.

19.3.06

Isto

existe: chama-se Felicidade! Quatro horas passadas na cerimónia onde os outros foram o espelho da que eu sou (feliz como uma criança) regresso, a música celta recebendo-me na casa de cálidos tons areia, morna ambiência, paz seleccionada.
Um dia perfeito, coroado com este Theme from Harry's Game, dos Clannad que agora oiço na inspirada AccuRadio que o pc debita . Que mais poderia eu desejar? Saudade, de Étienne Daho? Pois foi: ouvi-o ainda há pouco no carro, num programa de rádio (da Comercial?) que aborda o tema dos... blogs!
Que o vosso resto de domingo possa ter um décimo da felicidade que sinto: o sabor incomensurável da Bênção no dia de S.José!
;0)

O dia dele




É também - e indirectamente - o meu: ele só foi pai porque eu nasci! Eu, a primogénita, glorifico o dia! Entre a música negra dos Temptations e a mais-do-que-amada-música-céltica (mais alguém desse lado ouve a "arriscada" música dos Cajouns da Louisianna?), preparo-me para cerimónia de importante recorte social.
Levo as mesmas flores que levaria na infância (as doces rosas-champanhe em bouquet-miminho rodeado de verde-vivo, um ramo próprio de noiva), a recordação de reconhecido bom gosto comprada com ternura, preparo-me para o feliz regresso ao passado. Banho perfumado, roupas de gala, o meu melhor sorriso (que bom, acordei bonita, para isso fiz cura de sono!), a chuva por companheira, Deus por aliado, serei recebida nos braços calorosos de quem me quer bem. O passado acena-me, pergunta-me o que fiz até hoje, o trabalho em balanço, a recepção de quem me vê como exemplo de vida, a humildade do perdão que desce, a felicidade de novo instalada no meu rosto pelo orgulho dos mais velhos: fiz as escolhas certas!
E obrigada, obrigada, obrigada pela Música que eles (os Blasfemos dos primórdios) indicaram na pessoa de um: obrigada, CAA! Rodopio pela casa nos meus afazeres aos ritmos cítricos da Alma Céltica que me vive dentro. Oiço isto: AccuRadio!
Saint Patrick calls me one of the tribe: I would be an irish, if I could choose! Azul: sei que as cruzes célticas são dedicadas a outrem, mas amei as imagens como se para mim fossem! Eia!
Obrigada, Pai, pelas Bençãos que sobre mim descem em mais um dia de vida sobre a Terra!
:0)
Ireland? Oh, It's Sooooo Greeeeen!

14.3.06

Da solidão

Se aqui chegou enviado pela "senhora" do link que não sabe se é pássaro ou peixe, aprenda a nunca subestimar um despeitado. A "Maria do Céu" será antes um carente "José do Inferno"? É provável: blogs como Malapata ou Mal-amada ou este Nem pássaro nem peixe - feito nas ilhas - usam mal o nome do meu amado Azimutes (fazendo links directos ou, como agora, comentando em nome de uma "leonor alba", não esta Inês Alva que daqui vos escreve). O teor desses blogs é o do costume: sobrevivem à custa da popularização do lixo cibernáutico. Há quem lhe chame "humor latrinário". O vocabulário é o típico da "Maria do Céu", um/a madeirense nada pacífico/a, pelos supostos estragos... Hoje, até da Assembleia da República aqui veio alguém visitar, imagine-se enviado por quem!... De presentes envenenados reza esta estória: a liberdade de expressão é o que é.
Obra, evidentemente, de trupe que já se vai fazendo famosa por gabar publicamente blogs do teor dos supracitados. Para bom entendedor... O Azimutes tem apenas 15 links. Não se impõe. É pequeno. Porque incomodará tanto?... Mistérios.
"Maria do Céu": não se canse (de) mais para ter a minha atenção...
Por motivos evidentes, o Azimutes faz uma quarentena: menos radiações do portátil significarão mais passeios ao pé do mar, mais leituras em dia, mais contos escritos para a gaveta. Do mal o menos.
Aos meus leitores de facto, aos que vêm por bem, beijos e pedidos de compreensão. O mail é o de sempre.
Piu. Pois.

13.3.06

Respirez: et hop, OXYGÈNE!

O melhor do país é (sempre) "2"?
Antena 2
O2
Canal 2:
:0)

Boa noite, Brasil!

Algum veracruciano me poderá esclarecer? Que se passa nas terras (a)bras(iv)as para tanta curiosidade sobre o Saint Patrick's Day? O meu conhecimento limita-se a uma boa quantidade de juventude irlandesa que tinha como música favorita Girls Just Wanna Have Fun, da Cindy Lauper. Não concordando inteiramente com a cantora nem com a parte pagã da festa do santo, acabo de abanar o esqueleto - com mais garra do que qualquer irlandesa - ao ritmo da dita música aqui na minha sala: uhu, que dia fantástico eu tive!
...
They just wan-na
They just wan-na-aa
They just wan-na
They just wan-na-aa
Oooh Girls, Girls just wan-na have fu-un
(...)

12.3.06

The Sensual


... World



Um fiozinho de voz, mas uma dicção irrepreensível e, por isso mesmo... sensualíssima! Sem escapar à religiosidade do repicar de sinos inicial, agradavelmente célticos, os sons são de uma pouco refreada sensualidade que a letra desmascara ainda mais e os movimentos de Kate Bush - bailarina de formação - são a negação do arquétipo da lady presa no recato cerimonioso do vestido... Este não foi um hit - há muito que Kate Bush se afastou dos palcos e os shows ao vivo são agora uma tentativa de ressuscitação da mais do que discreta carreira. Para esta música trabalhou com 3 das famosas vozes "musculadas" da Bulgária. Há algo de fluídico na música desta senhora, algo de Távola Redonda, de Lais da Bretanha, de Guinièvre e Mélusine, de casto e simultaneamente tentador, uma fluidez líquida no seus "mmm yes", cicios, sussurros, murmúrios: Exquise!

Para quem for simultaneamente saudoso e paciente - dos 70's e capaz de esperar que os clips "carreguem", respectivamente -, mais duas pérolas de miss Kate: este, de ultrapassadíssima e não menos fabulosa batida e este, para os mais sonhadores com dias de chuva. Como eu amo a chuva serei suspeita, o que não me refreia da insistência: como ela, não sou submissa a enfados!

(Às vezes, a "pirosice" é mesmo glamourosa e eu nasci à porta dos 70's... Oh well...)

;0)

Beijos fluidos ao som de The Sensual World.

Faça valer o domingo de sol e sensualize com espiritualidade q.b.

Para isso nasceu: contemplação!

11.3.06

. A z u l .

Associo a harmonia plena aos diferentes tons de azul. Marinho, índigo, turquesa, meia-noite, anil, tinta-da-China, marselha, cobalto... A casa deve ser branca e areia, tons neutros, de pinho e mel. Não me convence a moda dos móveis wengué. Os reflexos da luz que capto através de cortinados alvos ou de espelhos bem colocados têm de ser paz esbatida no matiz certo. A almofada de risquinhas, diferentes nas espessuras e nos tons azuis sobre a cadeira de trabalho cor de mel; a coberta da cama azul-céu, o edredon de geométricos azulados, o algodão ainda mais macio em tons-bebé dos lençóis em branco e azul-lilás; os atoalhados entre os brancos e os azuis-celeste; o saquinho de maquilhagem da Designers Guild em diferentes barras de azul; as peças de loiça sempre entre os brancos e os mais celestiais azuis-lilás; os individuais, as toalhas, os cabos de talheres? Diferentes tons de azul suave, pois claro!
Os tapetes? Têm de casar com o espelho-de-chão de moldura sóbria por ser lisa, mas de ostensivo ouro-velho barroco e a cruz celta de metal envelhecido que encima o móvel lateral da entrada. O meu mundo rodeia-se de azuis, do mais aparentemente soturno e clássico das blusas cerimoniosas até ao chaveiro. Sei que entre azuis mediterrânicos e beges estou em casa, estou em paz, impera o silêncio da cor da harmonia. Em criança perguntava «Mãezinha, porque não há flores azuis? Deus cometeu um erro, decerto...»
O que é belo é azul. Normalmente, os meus dias são azuis. O meu longo colar azul-marselha de missangas atrai todos os olhares e inspira paz. As garrafas de água que compro, as embalagens de produtos alimentares que compro não fogem ao azul. Procuro estofos de carro, almofadas azuis, vernizes azuis que nunca usei. Mozart soa-me a... azul!...
A minha "moda" não passa de moda: o azul é (e)terno!
Mas... quem decide desse monstro engolidor de pessoas a que tão pomposamente se chama "moda"? Fui investigar...
Escolham o que quiserem, ladies & gentlemen da ICA: a minha moda faço-a eu! O azul, obviamente, não andará arredado da que eu sou. Para que a paz desça: tudo azul! Mesmo que me sinta em tons de blues... É só decidir o tom certo.
;0)
Beijos azuis!

10.3.06

Substituição




Ao entrar, F. trazia ódio aceso nos olhos. Contrariedades de quem prefere "hora livre". Também eu estou ali gratuitamente e aceito. Peço-lhe que retire o boné. Acede, olhando de lado, esquivo, como se fosse eu atacá-lo, ou ele a mim.
Poucas vezes vi um adolescente tão perturbado e violento. Olhar esgazeado, tem a simultânea posição de ataque e da retracção de quem não é feliz. Prepara-se para me cabecear no queixo, estou certa. Pergunto-lhe porque não me olha nos olhos quando lhe falo. Diz que não quer saber. A seu tempo, sofri as consequências de ter dominado a pior turma da escola, as de sempre para um professor. Sem comentários. Deus estava comigo. Um sétimo ano...
Fechados por uns minutos por não terem respeitado as normas (a sala deve ficar impecável e as desculpas pedidas a quem de direito: "Isto é uma substituição, não é uma aula, não nos pode obrigar, não é nossa stôra"...), nem o mais alto - muito maior do que eu - se atreveu a desafiar-me e ir buscar a chave que coloquei sobre a minha mesa, segurando neles o meu olhar de afronta. Fiz puro bluff, a cabeça a estourar de dor, tremendo como se estivesse num barco frente ao vendaval, peito aberto à balas, vulnerável como uma mulher a ponto de quebrar. Sustive a minha razão, como quem segura o mastro já partido que mal norteia a vela ao barco. Deus esteve comigo. A minha voz foi inflexível. Eles rosnam, insultam-se, falam altíssimo. "Você é má!", a inocência na frase que não se espera de rufias sem pejo das piores grosserias. Percebo como funcionam. No quadro, escrevi-lhes o meu nome a pedido: "Inês, a Má". Riem. Seguro o giz que esmago entre os dedos, respiração controlada a custo, atordoamento. Como nos piores momentos da vida, um aparente sangue-frio que gela tudo em volta. Por dentro, partida como numa violação de privacidade, dignidade, feminilidade ultrajada. Estou à mercê. Falo com Deus: «Ajuda-me Tu! É hoje que quebro...» Pernas que me tremem como as de Freddy Mercury em palco, retesadas pelos piores motivos. Um lince enfrenta uma alcateia esfomeada. Tempo. "Queremos sair!" Não. Não antes de pedirem desculpa: «Sou, neste momento a vossa professora, represento a ordem, sou eu o adulto aqui, serei respeitada, sou uma senhora, poderia ser a vossa mãe. Há limites: as desculpas, por favor... ou não há almoço..." Falo cada vez mais baixo, cravo cada vez mais os olhos. Ou respeitam e reconhecem ou da próxima serei feita em picado... A dada altura, a fome, a pressa do transporte apertam com os rapazes. Aceito o coro: "Desculpe, pronto! Agora abra a porta, já!" Saída.
As consequências do dia seguinte foram resolvidas no dia seguinte. A energia regressa-me aos poucos. Lívida, percebo porque pode um professor parecer mais velho ou parecer ter a idade que tem: nunca parecerá mais novo. Profissão de risco, dizem-me as artérias coronárias, diz-me o peito, dizem-me as dores de parto de quase, quase ter sido cilindrada. Valeu-me a força de um carácter de aço, nervos inoxidáveis, quase, quase inoxidáveis... Valeu-me Deus.
Estes dias, de novo no corredor, a caminho da sala do 7º X: "Ooooooooooooh, pá, é "ela" que vem substituir, Inês A Má! Fooogo, que azar! Logo ela".
Cansativa, arrasadora, esgotante até ao paroxismo, a aula de substituição com o 7º X será sempre uma brutal medição de forças. É embater num penedo de granito. Faço-me granito igual: cada um receberá na medida em que der.
O rapaz esgazeado, F., não gosta quando lhe falo de um amigo dread que muito admira em termos comparativos - um adorável aluno meu, D., que conquistei pelo elogio e a serenidade para o relativo sucesso, uma adorável criatura com falsa "pinta marada e janada" a que não me importaria de chamar meu filho.
F. irrita-se, quase me desrespeita quando pergunto se gosta do seu amigo D. como eu e o que pensaria D. se o visse comportar-se assim comigo. Tento associar-nos, porque sei que o outro é um modelo que quer seguir, já os vi nos corredores, no BTT, estudei-os de longe.
Toco-lhe no braço que escreve e que afasta com violência, convenço-o a passar o que escrevi no quadro, a melhorar a letra, a olhar-me nos olhos quando lhe falo, faço-lhe um elogio (Senhor, Pai, esgoto-me, apetece-me odiar este bandalho inútil... Ah, que vontade de lhe bater para que perceba que eu TENHO DIGNIDADE e que me esgoto...que me esgoto com ele quando outros se insubordinam... Ah, como seria fácil o ódio, Pai da Vida! E o barulho! As minhas aulas NUNCA têm barulho! Esta turma é a minha prova de fogo: quem suporta "estes", suporta tudo. São o meu Vietname... Pai, segura-me ao colo que caio de dor, dói-me por dentro, agonizo, oh, fúria, como és fácil...).
O rapaz olha-me nos olhos. Aceita a folha que lhe dou: recusara a branca, precisava de linhas; aceita a esferográfica verde-alface que he dei: recusara a pilot 0,4 preta, "muito fina, não gosto!". A verde é igualzinha à sua mochila, aos ténis e ao boné, fluorescente até me doerem os olhos... De repente, brilham os dele: como uma criança pequena que descobriu um novo brinquedo, olha para as cores, esboça um sorriso... Eu pasmo! Resultou. A "pedra" amolece, enfim... Digo-lhe que se passar o que está no quadro, não farei a "Participação Disciplinar" à Directora de Turma. Quando a aula termina, antes que eu lhe possa oferecer a esferográfica verde, pede-ma, um menino encantador (só pode ser outro ou ter dupla personalidade), sorriso de orelha a orelha, rindo para o fundo dos meus olhos. Pasmo... Que sim, que lha ofereço com gosto! Saltita, feliz, com novo brinquedo "Obrigada, stôra, obrigada, você é fixe, stôra! Nunca mais me porto mal, JURO! O D. tinha razão, você é a maior!" Pasmo. Sorrio-lhe. Sugiro que se sente até que toque, que organize a mesa, que alinhe a cadeira, que se aprume, está mesmo a tocar.
Saída. F. ri de novo, como um bebé pronto para o sono da Paz, levanta-me a mão em saudação, cordial. Um novo amigo emergindo do quase-ódio?
Eu fico a sós, quase chorosa. Minutos de olhar no vazio, voz dorida, combalida, cabeça que explode. Abro uma janela e fico a ouvir o som do farol, ao longe. Agradeço a Deus por ter estado comigo. Estou desfeita por dentro do cansaço emocional, mas Deus esteve comigo. Cada vez mais, a cada novo dia, precisarei de Deus comigo em muitas mais aulas de substituição. Como eu - feliz, fortíssima, adorando o ensino - muitos que não estão tão bem. Seres humanos doentes, gente que teve AVC's, mais velhos, menos fortes de espírito, menos inspirados... e os depressivos, todos os milhares de depressivos que se arrastam no ensino. Lastimo por todos eles, todos os que já mal se erguem... e por todos os que, não tendo Deus, clamarão a sós no deserto. Deus esteve comigo. Esteve sempre comigo quando, a sós, fechei atrás de mim a porta e mergulhei no baque brutal do barulho do pavilhão cheio com 500 vozes que gritam a plenos pulmões. Tolero cada vez menos o barulho. As vozes. Não estão no meu cérebro, não sou esquizofrénica, mas são mais de 500, ecoando no pavilhão, no centro de todas as portas que fecharei durante mais 20 anos... se Deus continuar a aceitar vir à escola comigo...

6.3.06

Ter ou não ter "duende"*...

As diferenças entre nós, amiga, começam aqui:
tu és renascentista;
eu, um pesadelo de Da Vinci...
Por isso tu és visível e eu me escondo na treva da Palavra.
* créditos a '
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E vivam a ternura & o riso!
Este vídeo é do melhor para cinéfilos
que gostem simultaneamente
do National Geographic, ah ah!
Rir, rir muito com os Foreigner,
sobretudo por causa de
Jimmy Stewart & os noivos de patins!
Trauteei esta música todo o dia!
Adoro este clip!
;0)





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Ei-los regressados!
Soyez les bienvenus, messieurs, dame!
:0)

5.3.06

"A" música, a minha, a de uma vida





À excepção de Holding Back the Years dos Simply Red, obra-prima para os momentos circunspectos, a música da minha vida, a que fala de coisas tristes mas me põe nos píncaros da alegria pelos cítricos, energizantes dotes pianísticos de B. H. é, definitivamente, The Way it Is, de Bruce Hornsby And The Range.
É esta A Música
da chuva nos cabelos,
do lençol azul-marselha com cheiro a lavado que se dedobra sobre a cama fresca,
da jarra de flores amarelas,
da viagem de carro com os vidros descidos, cabelos à desfilada,
da viagem no balão de ar quente,
do espectáculo do Cirque du Soleil,
de Mozart ouvido com a Inês - cinco anos - nos meus braços de mãe-segunda,
do odor do pão quente pelas manhãs que como, olhos fechados para sentir mais,
da água singela em copo liso que bebo nos dias da sede,
do corpo que te ofereço em holocausto, a minha nuca recebendo as tuas mãos, a tua boca recebendo a língua materna que falamos, os meus olhos fechados rindo, o cicio da minha voz, o sussurro da tua, a noite nossa por inteiro,
o som das folhas do jornal,
o cheiro das folhas do livro que iguala o da relva fresca acabada de cortar,
os meus pés nus na areia gelada da praia, marcando a minha passagem fugaz no planeta, entre a espuma, a primeira vez que o pé toca na areia da praia,
fazer um saco, uma mala para partir em viagem, olhar a casa e dizer "até breve",
desfazer na boca açúcar mascavado, comer kiwi às colheres, chocolate negro derretendo sob a língua,
passar as mãos no granito, passar areia na pele, afagar um tronco de árvore,
usar lenços que esvoaçam, brincos longos, cabelos soltos na noite,
a tremura no centro do corpo quando se percebe que se ama,
caminhar entre as folhas de Outono, vermelho-sangue, bege, dourado, lilás, ouvir o restolhar do vento, o marulhar das águas,
observar os veios de uma folha na contraluz, a brisa que a agita de vida,
é o teu beijo, o teu beijo, o teu beijo,
o meu mmmmmmmmmmm que te agita o corpo em devaneios, as tuas mãos no meu rosto, o meu riso nas tuas mãos, são cabelos que me despenteias, retribuições de noite inteira, manhãs de vida plena...
É a vida em cada manhã: estou VIVA!
:0)

3.3.06

In memoriam


Há quase três anos que te perdemos.

Este blog era a tua memória.

Falta pouco, Alma.

2.3.06




Dust in the Wind
Kansas


I close my eyes, only for a moment, and the moment's gone
All my dreams pass before my eyes, a curiosity

Dust in the wind, all they are is dust in the wind

Same old song, just a drop of water in an endless sea
All we do crumbles to the ground, though we refuse to see

Dust in the wind, All we are is dust in the wind

Don't hang on, nothing lasts forever but the earth and sky
It slips away, all your money won't another minute buy

Dust in the wind, All we are is dust in the wind


(...)

2 kindzaluv' / (Amor: 2 formas de...)

I
De um (amor) a outro amor


Com arranjos mais modernos, seria de novo um hit, sure thing! Balanço funky, a sensualidade dos tons de pele-chocolate, a mestria nos agudos como nos graves, Anita Baker, virtuosíssima voz negra, canta com todos os músculos, ri, dança com meneios de foxy lady num invejável corpo de diva. Acima do ritmo, a voz que diz que ama porque sim. De um amor a outro, Just Because. Num dia absolutamente perfeito, reconheço, por aproximações lentas, que amar é tudo e tão-somente isso. O amor (é o) que electriza. Porque sim.
I love you just because
I love you just because
Just because you're you...




II

De (um) filho a (um) pai

Sei que onde quer que estejas, estás com ele. Hoje, homem da voz aveludada, voltaste a fazer-me sorrir da tua tão crónica como luminosa ternura. Choro por não ter a coragem de abraçar como tu o fizeste, aquele a quem chamo pai. És uma das minha provas de que Deus existe. Onde estiveres, estás com o teu pai e o Outro, o Pai acima de todos os milhões na Terra. O teu legado permanece vivo. Aprendo contigo a exprimir o que de mais divino trago dentro. Porque nos ensinam ridículos pudores em relação ao que de mais profundo existe em nós? Hoje, só hoje, abraçar em pensamento todos os que amamos: os que estão, os que se preparam, os que partiram. Obrigada, onde quer que estejas: amo-te, Luther Vandross! Em nome da ternura dos laços que o sangue transforma em nó górdio, reaprendo contigo. Com Dance with my Father. O amor (é o) que pacifica. Há outra forma?...

Beijos amoráveis