28.5.13
23.5.13
... and celebrations, já lá dizia o Cliff Richard(s)
14.5.13
Choverá em breve.
8.1.13
«Uma Agulha num Palheiro»
14.11.12
Eles "andem" aí, mas nem se nota...
25.10.12
31.8.12
6.7.12
Associo estes sabujos filhos duma grande mãe pária que querem escrever num Português abortado a que falsamente chamam "Acordo" a "portáteis" cobertos de imundície.
15.5.12
3.5.12
Saga Millennium (ainda a)
26.4.12
Non compos mentis*
Segundo a bisavó R., até dos cabelos perdidos teremos de prestar contas, um dia. Não a um Deus, mas a algo maior que Ele, algo não inventado pelas nossas vãs filosofias. Os humanos são fossas com pernas e pensam que pensam que pensam. O mundo é, cada vez mais, um misto de fluídos mal aproveitados, actividades neuronais abaixo da média, sinapses tão sinuosas que não fazem tilt, amálgama de odores, miscelânia de vozes sempre excessivamente altas. Será da minha narcolepsia ou da "ruivice" escondida?... A sensibilidade é demasiado cara e estou farta de reconhecer direitos a seres tão viscosos que nem merecem o chão que pisam. Fartinha de ajuntamentos, populismos, bárbaros e solucionadores profissionais dos males dos outros, com remédios para calos que curam também dores de alma...
Como sempre, também eu espero a morte para breve. Sem ela, nada faria sentido e, de facto, é penoso andar por entre gente que reputo ao nível de Jean-Baptiste Grenouille, o anti-herói de Süskind. Poderia o mundo ser mais torpe?...
Deus, quem quer que sejas, livra-me dela, da Grande-Mãe acefálica (sem falo), mas tão-pouco apenas acéfala que nos nivela por igual e nos atira com os seus ruídos refocilantes envoltos em palavras como direitos, liberdades, o-qu'é-bom-é-p'ra-se-ver... Marca aí na agenda, para breve, a minha saída deste manicómio: vaidade, tudo é vaidade.
Tenho frio do lamaçal: põe-me sobre os ombros a toalha, a grande pacificadora, e deixa-me ver depressa os tais pontinhos de luz à frente que os cientistas dizem ser o cérebro a desligar, coisa que, supostamente, não se faz num clic, mas sim em muito tempo. Tudo aqui é tão "gadoso", visceral e dá cá uma sede!...
24.11.11
Elas
Em profusão, chegam de manhã cedo, esfiapam-se por entre as tantas horas, marulhando segredos, enquanto as repito até que, exangues, me deixam a mente vaga, menos nodosa dos movimentos que, amontoadas, fizeram em revolteios. Depois, sucumbem, satisfeitas, lânguidas, caindo de mim abaixo como cabelos meus já mortos e soltos na brisa, ainda mornos, penas de pássaro que marcam os meus caminhos de seiva e genética. São elas o fim e o mesmo princípio de tudo, porque tudo se arredonda, circular, em ouroboro, o si na busca de si mesmo. Diáfanas, sorriem, descendo de mim, zombeteiras, por me terem sugado energias, de tanto pensar nelas: mesa mesa mesa mesa mesa mesa, subida subida subida, alto alto. Nenhuma, garanto-lhes, é mais importante. Todas me enchem do som do chocolate preto bombeado do palato aos dentes, da língua aos lábios que dizem ao cérebro que é mesmo aquilo, 60 a 80% cacau. Cacau. Cacau. Cacau. Amargor. Exotismo. Longe, muito longe daqui. Bom dia, palavras.
2.9.11
Verba
Ao contrário da terra dantes transportada em pequenos sacos para polvilhar o morto longe do seu solo de berço, da bandeira ou do hino, as palavras têm imagem visual, um rosto e trazem-se dentro, embutidas na máquina propulsora a que se chama cérebro. Também ele se liquefará, a seu tempo, num tempo em que quaisquer famous last words ainda possam ser pronunciadas, ditas com voz. Afinal, os druídas sabiam o que aí vinha e, por definição, o que faziam: era proibido escrever.
Em nome do que sobra sempre, do que é válido, banirei - e apenas em documentos oficiais, os do Inimigo -, por relapsas, as palavras óPtimo, aCtividade ou pÁra! Serão substituídas por sinónimas e guardadas em santuário, como pássaros de asa ferida. Guardo-as aqui e nos meus textos-de-gaveta, que são uma e a mesma coisa.
Resta-me este consolo: os podres que as quiseram assassinar hão-de adubar a terra, juntamente com o esterco dos milénios. Para o sempre sobram essas palavras feridas, convalescentes, transportadas na boca, no ventre, entre as mãos dos que as sabem. Desamputadas, aguardam: tal como a árvore que ali vejo, recortada contra o azul-petróleo doloroso do céu que se outoniza, sobreviverão, nos bailados das palavras compostos por muitos, todos os que o tempo não apaga, mas antes cinzela. Ainda bem que todos os humanos apodrecem. Só a natureza tem um corpo dúctil, tal como as plantas têm sementes. Quem não viu isto, nem sabe quem é.
30.6.11
(suponho que o "E" seja de energúmenos)
iguala-me a estes pinheiros em cinzas
que me entram pelas narinas,
aqui, onde tudo arde, tudo arde,
tudo seca, tudo é dislate,
desconchavo,
poucochinho,
cinza já, de tudo o que poderíamos ter sido.
E isso tudo me agasta,
nos agacha,
Toda a gente "acha",
Ninguém sabe nada,
E as cinzas são eu.
8.6.11
Isto sim, é uma notícia
http://www.publico.pt/Cultura/estudo-diz-que-giotto-foi-o-criador-do-sudario-de-turim_1498035
Não. Claro que não vim recordar, mas
este blog fez anos: oito, a vinte e dois do cinco.
Evidentemente, gosto mais do tema notícia supra.
22.4.11
E eu disse a muitos: Marchemos para lá, para sul, onde se acoita a podridão!
António Barreto, RTP 1, 21 de Abril
[imagine-se a partícula"des" depois da partícula ex].
O sociólogo disse sobre o ex-governo as seguintes palavras:
«ABRASIVOS, COLÉRICOS, FURIOSOS, VIOLENTOS, CRUÉIS».
A mim, que memorizei os 5 epítetos e os escrevi como sobre pedra por com eles concordar, apeteceu-me trocar as sílabas, dislexicando-me, quando (entre outras Fúrias boas ou más) me revejo no que alguém diz (Sim, Doutor António Barreto, é exacto o que diz, Obrigada por não temer as palavras certas, e-xac-ta-men-te como eu creio que deveria funcionar esta penedia a que ainda chamam país).
Assim, digo também eu sobre o abominável ogre e seus sicários que nos desregularam ad aeternum até ao ponto de perdermos a matriz ortográfica do idioma-pátrio, dislexicando-os assim:
ABRALENTOS
FURISIVOS
COLÉOSOS
CRURICOS
VIOÉIS
!
E, sobretudo, não me venham falar (se nem tenho cor política)
da já podre serenidade
no 25 de Abril!
28.2.11
15.2.11
Marés
Cinza. Hoje, o mar está cinza. Teimoso, insistente, protuberante, desenovela-se em galáxias, pois que é nele que se espelham todas. Quantas cabem nos oceanos que temos? Todas, se quisermos?... Até onde nos corre a imaginação em delírios, pois se até ela acaba e, no fim da palavra, correm "rios"...? Até onde podemos congeminar, nós, os pequenos humanos? Terminará ela, a nossa capacidade de sonho, liquefeita, no marulhar gasto e espesso de séculos de turbulência? Como me diz a mãe, sempre que vê o mar:
- Ei-lo, o bicho... O bicharoco que me persegue em pesadelos... É tenebroso, o mar.
- Medonho... - respondo eu em palavra que amo - Medonho! Adoravelmente medonho!
(...)
Os diálogos perdem-se, as palavras impedindo que se abarque tal assombro com elas, porque nunca chegam: o mar engole-nos por dentro.
Depois, por dias de sol, passa-se ali, mesmo ao lado, como ao lado é o Cabo Tormentório - que todos trazemos dentro - e desagua-se em Vila do Conde: ali está a nau. O medo que lhe tenho, o respeito que me inspira a negra quilha, o sagrado lenho, o pavor que me transtorna sempre, como se tivesse ainda os oito, nove anos:
« - Avozinha, não quero aproximar-me dos barcos com musgo, mortos ali na praia. Tenho terror dos barcos da praia, porque lhes vejo a alma...»
O barco negro (assim lhes chamavam os nipónicos, diz-se) provoca-me sempre uma convulsão de medo e ele enrola-se nas vísceras e dói-me por dentro, como se nele, barco, tivesse eu morrido, em vidas passadas. A Vila olha-me, branda, compreensiva, mas o barco rasga-me gritos endogenizados, guinchos de bicho em pânico, acossado, psychotizam-se laivos de sangue, em dor liofilizada, microfilmada, percutente, riso lupino da morte - minha amiga, mas que me espreita com máscaras contorcidas quando quase a aceito, mas a quero dócil e as carantonhas que ergue me acometem nas esquinas da casa escura e sozinha, voláteis, elas, assincopada, a minha golfada de oxigénio entrando a eito -, como se tudo o que eu sou estivesse inadiavelmente inscrito no cerne daquela nave marinha...
O barco negro rasga-me sempre o dia, porque nunca me lembro que ali repousa, como reaparecido após séculos de viagem. E o mar, que tudo sabe dele e o quis ainda vivo no dealbar de nova era, é conivente, cúmplice de funduras algosas onde não quer este filho negro que o galga - como o teu corpo, sobre o meu? -, ri um riso só dos dois e espraia-se no casco, entre afagando e percutindo, cerce, em marcas de amor dorido e lento.
- O mar sabe-a toda... O mar ri de tudo o que a nós traz rugas na testa, de tantas perguntas que levamos do mundo sem resposta, secos, hirtos como cartografias pergaminhadas, cansados de tanto nadar a contra-corrente. Por vezes - tantas! - para ter paz, tenho de recordar que isto me guia:
- Senhor, seja feita a tua vontade... As marés, elas mesmas mares-fêmea, nunca te acusaram o cansaço?... Não me deixes pensar tanto: o que levo é o que trouxe, uma ausência de medo, um deslumbramento que me morre entre os dedos, uma ânsia de, como Agostinho, fugir-te, para que me procures e me fales em tudo e em tudo estejas, como este mar que me cerca, ilhéu-fêmea, relapsa, vaga-mundo, dor-de-pensar ao que vim, eu, que quero ser não sendo, fugitiva de pés nus sobre o vidro que o pensamento é. Disso tudo o mar sorri. Tem milénios de tempo, o canalha… Como o amo, de tanto não o poder ter, sequer, nas veias!
11.12.10
19.11.10
Da "S" e outras crianças
A "S" é a filha que eu queria ter tido. Tal como o "F" é o filho que nunca terei. Há muitos, entre eles, que vou escolhendo para "meus", na casa que encontro vazia de vozes infantis quando chego. Sem mágoas, contudo, que eu sei porque me quis assim e isso só a mim importa.
E contudo... e contudo. A nota de 86 que ontem entreguei à "S", no teste visto de fresco, fê-la voltar-se para a colega também pequena que lhe sorria na sala - a turma já tinha saído quase toda - e dançar um samba horroroso que a deformava em todas as direcções e lhe espetava o rabo na direcção da mesa onde eu arrumava papéis e orientava sumário, entre outras quezílias da profissão geradoras de amargos de boca, por escolares, anacrónicas e estupidificantes. Desculpei, à pequena "S" a sua dança tribal porque a vi, naquele instante, filha de pai morrente num certo hospital, a terminal doença marcando, já, epitáfios que tão ligeiro ser - loira e vivaz como é a "S" - não merecia tão cedo na vida. A sala tornada sambódromo, pude alegrar-me - eu, que odeio "sambantes" - por ter o meu "86" escrito a verde alegrado quem ultimamente tanto chora. Desígnios pequenos, nadas avulsos, momentos esparsos: disto se faz a alegria hodierna de um professor que viu nascer o século. No meio da turba, sambando ao som do toque das caixas múltiplas, foi aquela miúda a reabilitar-me aos olhos de um dia gasto. No meu sorriso contristado, na meia boca que inclinei, estava toda a alegria possível, quando as notícias do meu país me trazem uma estranha estrela alvinegra, de quatro pontas, bombardeando a eito, como um alvo apontado ao peito que todos trazemos pesado. Em que medida serve a estrela à "S"?... Saberá o que por detrás dos seus sambinhas trezeanistas se maquina algures?... Ensinar-lhe-á a História que para nada servem as suas notas de "86" num mundo onde os novos bárbaros vestem fraque e as armas que trazem dentro dos contratos têm nomes científicos? Muitos "86" ajudarão na subida dos degraus até ao fim do jogo? Quando perceberá a pequena que o 1% da sua alegria nada conta no mundo real que encena outras danças fora do gradeamento da escola?...
Ensinar-lhes que cada etapa é apenas um degrau será suficiente como força para aguentar o peso da vida? E agitar ainda as bandeiras da seriedade, da meritocracia, da lealdade poderá salvá-los dos orangotangos perfumados que, por estes dias, sentarão as partes nas sanitas dos hotéis de luxo? Como manter a salvo os nossos melhores, os nossos ainda perfeitos incólumes, num mundo onde a inversão de tudo o que é válido nos satura os tímpanos? Como dizer-lhes que estão a prazo, enganados, a recibo verde da corja que os militares guardam como tesouros? Como fazê-los perceber que a população inexistente nas ruas de Lisboa por estes dias é o vazio metafórico do lugar onde todos já mergulhámos há tanto tempo que já ninguém sabe quem é?...
Na minha retina, as imagens deslizam, vertiginosas, fel do ódio que tenho à mediocridade. Fico feliz pela felicidade alheia. Entretanto, a pequena "S" saiu, samba algures, sorrindo, em direcção ao dia claro, mochila às costas e faz o que a mim me ensinaram tão bem que fiquei nesse mundo para sempre: sonha que, algures, há um sítio melhor do que a realidade que muitos, canga nos ombros, absorvem como à última golfada de oxigénio no planeta. Asfixia devagar, mas para seu bem, ainda não lhe disseram...
3.10.10
lagutroP
27.5.10
(Des)aniversário
. Este blog tem 5 dias e .
. . . ... 7 anos. . . .
. . .
... ... ...
Continua a optar azuladamente,
como nas margens aquosas,
agridoces dos odores cítricos.
Do som do vento e da chuva
também se irmana.
A casa do farol
nunca teve
tantas
certezas...
Cheers!
;0)
21.4.10
"C" (um aluno português)
Perguntas do aluno:
«Ó s'tôra, como é que eles sabiam o nome dela? Estava viva?...»
:0(
1.3.10
Sou feliz, mas entristeço-me...

« - Estou a procurar imagens de "iluminuras". Os meus alunos arrepiam-me, quando dizem que não sabem o que são iluminuras...»
« - O que é isso?...» - perguntou a colega de Matemática.
(Chorei por dentro.)
«- Duc de Bérry?... Livro de horas?... Livros de História? Monges copistas?...»
« - Hã?...»
24.2.10
(E)s(t)ou feliz porque...
Ontem, vi um homem da recolha do lixo devidamente "uniformizado" que, em vez de sorrir para os seus botões, sorria para o velcro do verde fluorescente do seu "camicasaco" e... tinha phones! Estaria ele, como eu, viciado nisto?


