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27.8.08

"A" voz

Fairouz - Yalla Tnam Rima ("Dorme, Rima")
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Yalla tnam Rima,yalla yjeha elnaoum
Yalla theb elsala,yalla theb elsoum!
Yalla tjeeha alaouafee,kel yaoum beaoum
yalla tnam yalla tnam,ladbhla tayer elhamem
Rouh ya hamem la tkhafee, amekzoub a Rima tatnam
Rima rima elhandaa ,shara ashaar omnaaa
yalle habba bebousa,elbagada shou betraa
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Enquanto fui estudante Erasmus em França, esta canção de embalar tornou-me menos pesado o estudo do árabe. Recordava-me a minha mãe e a cadência da mais suave voz de Amália. É pena que a música do meu país seja quase só sobre o lamento e não tenha o pendor místico do país que a Bíblia eternizou pela beleza e perfume dos seus cedros (há um junto à igreja onde me baptizaram): o Líbano. Fairouz deve ser escutada de olhos fechados, como se, perante a sarça ardente, não só fosse sagrado o solo que se pisasse, mas também o éter que traz em si, juntamente com a paz, a mais divina das vozes.

10.8.08

"O" límpicos? / ssétia?

Não pude deixar de ficar desgostosa com a atitude de um atleta olímpico espanhol (judo? esgrima?) que, após ter vencido o seu adversário, enfrentou o público pondo um polegar na boca em tom provocatório. Desorbitado, parecia exigir aplausos à altura da sua suposta superioridade. Foi quase imediatamente admoestado por um outro jovem (patrício?) de telemóvel na orelha que o veio cumprimentar. Repetiu-lhe o gesto e pareceu dar-lhe um "recado" por entre dentes. Imediatamente, o atleta desfez o sorriso idiota/cínico. Muita gente confunde a delicada e desejável formalidade da alta competição com a arruaça futebolística que nos entra sistematicamente pelas casas dentro... Com a falta de concentração e de sobriedade, todos saem a perder... A classe nunca está a mais, não ocupa lugar, nunca deixará mal os nossos pais, o nosso nome, o nosso país, o vetusto, sagrado "espírito olímpico".
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Preocupante em indizível grau e sem comparação possível com o caso supra, o estado em que um território aparece aos olhos do mundo após os bombardeamentos a que o sujeitaram. Quando uma situação de instabilidade política parece atenuar-se no planeta, logo um novo ou velho conflito surge, para recordar - como tão bem cantou Sting - "How fragile we are"... Longe vão as tréguas sagradas das Olimpíadas de outras eras.

5.7.08

Ameeer'caa, ameeer'caa...

a bandeirinha ao vento, como no fim de cada filme unitedstatiano, mãozinhas no peito, olhar sentimental... A hipocrisia da indiferença, sinal de apodrecimento desde o interior. Dá que pensar.

18.5.07

Ridiculices

Definitivamente, ridículo. Por estes dias, obrigaram Bryan Ferry (ex-Roxy Music) a pedir desculpas pelas suas opiniões... estéticas. O homem (mister charming, himself, por sinal! [Eu cá gosto! E muito.]) limitou-se a elogiar a estética da ordem que prevalece aos desfiles, aos uniformes, às botas militarizadas que se associam a uma corrente ideológica, o nazismo. Ele não afirmou que era simpatizante, que admirava o carácter de quem quer que fosse associado à Shoah ou sequer que aquela fase histórica o fascina, for God's sake... O homem limitou-se a afirmar o seu gosto pela estética da ordem das multidões, da sincronia das marchas, a formalidade dos corpos uniformizados em... uniformes. Reconheço-me no gosto pela sincronia, embora ela me assuste se aplicada militarmente, porque reconheço o horror do ímpeto de meras "máquinas humanas de morte", mas também aprecio a beleza dos corpos sincronizados, como apreciava Esther Williams rodeada de bailarinas de natação sincronizada na piscina da MGM; como aprecio - apesar de ser assumidamente hetero - as estonteantes belezas do Crazy Horse; como aprecio os padrões, a simetria da natureza ou o simples alinhamento de aves no céu. So what?... No oposto, abomino as vozes de Catarina Furtado, a distorção vocálica de Shakira ou de Bono Vox, que associo a dores excruciantes. A falta de harmonia, de ordem ou da simples graciosidade natural choca-me.
Chocam-me o tom, as ideias, a figura de louco furioso de Hitler, a sua deturpação dos conhecimentos gnósticos*, a sua obsessão sectária e assassina. Isso, contudo, não invalida que reconheça a força de uma multidão ordenada com um fito comum. Horrorizam-me as massas e o endoutrinamento, mas tal não invalida o gosto pela ordem, pelo movimento a compasso, pela grandiosidade de um "desfile de moda", mesmo que os modelos sejam militares às centenas e todos iguaizinhos. Quando essas imagens são acompanhadas de música como nos videoclips actuais, há nisso reconhecida estética. Discutível, a estética do bélico. Mas, o teor "discutível" de um gosto desobriga-nos de desculpas aturdidas, ridiculamente "correctas" e típicas de paz podre. Haverá sempre teias de aranha de sobra, mentes enviesadas, falta de clareza nos limites do esteticamente aceitável, mas... pedir desculpas? O que seria de Salvador Dali e da sua exposição de carne crua pendurada em pregos na galeria? E de Zsa Zsa Gabor? Da Sagrada Família de Gaudì? De Cândida Brancaflor? E do futebol, dos Gato Fedorento e de Herman José, ou dos casais que casam em Vegas, ou dos que aqui mesmo, na Lusitânia, alugam limusinas e promovem bailaricos e karaokes, já agora?... Alguém tinha e tem de apoiar essa gente, alinhando, ondulando, endeusando. Eu não. Não gosto. Terei de pedir desculpas?...
* Ler Hitler e as Religiões da Suástica, de Jean-Pierre Angebert, por exemplo.

14.5.07

Escala planetária

Algures na Bulgária (Plovdiv?),
um(a) leitor(a) mantém-se fiel
ao meu bloguinho.
Já se contabiliza
a fidelidade em horas.
Impõe-se uma questão:
ZA CHTO?

30.1.07

Mais do mesmo: Mitos[es] Urbano[a]s

. Afinal, o suposto Mito Urbano relativo a informações avulsas de violações em noites discotecárias é mesmo baseado em relatos fidedignos. Segundo consta, medicação que inviabilize reacções defensivas e memorização dos factos e dos rostos circula nas noites dos E.U.A. e da velha Europa. Pensa-se agora introduzir nessas drogas algo que as altere, deixando rastos do seu uso nas vítimas. Na notícia radiofónica, referia-se a "responsabilização" dos farmacêuticos na venda de fármacos contendo o princípio activo representado por iniciais que não fixei...
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. Como me tinham dito os mais avisados, a entrevista da Goulão, tal como a da Quevedo (aguentei 3, 4 minutos de cada uma) foi [com licença] "uma merda". Assim me dizem, assim confirmo, sem mais a acrescentar além do facto já de si repulsivo: "vozes sem duende*". Uma alma é uma voz.
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. O blog que o meu amor identifica como o melhor dos dezasseis (!) que criei desde 2003 tem tido as visitas suficientes que me mereçam novos posts por estes dias. Já tinha saudades do que é vetusto e venerável. Tentarei colmatar o facto ouvindo mais a Antena 1. Mas não aos domingos. Não aos domingos. Qualquer humano não-néscio, minimamente inteligente percebe que o Rolo Duarte pretende (ainda e sempre) apoucar os blogs. Tem conseguido. Com amigos como estes...

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Definitivamente, a Mitose que dá título a este post deixa-me apreensiva e aqui fecho a minha escrita circular e agridoce: as células dividem-se sempre reproduzindo-se em iguais... não era?...

Boas noites, mundo. Ah, Metropolis... Ah, Fritz Lang...
* expressão de Garcia Lorca, aqui usada sem a autorização do amigo que dela faz bom uso. Salvé, señor!

3.1.07

Pentear

os cabelos a uma criança enquanto a tv passava la pendaison du dictateur Houssein... Forçar a imaginação e dizer-lhe: «Volta as costas à televisão: o brilho dela, que é prateado, vai ficar preso na tua trança enquanto a enlaço!» Ela, sorridente, obedeceu. Valha-nos a feroz feiticeira a que chamam criatividade que, a par com um riso de seis anos e dentes de escola primária a menos que uma fada levou para sempre, nos iliba da culpa de sermos adultos. É a nossa vez; um dia, será a do povo pequenino: voltar o rosto dos mais novos àquilo de que terão a mais e a que os humanos adultos chamam "decidir". Quem morre primeiro, o que se entrega ou o(s) que mata(m)? A pena de morte ambigua-me as respostas há demasiado tempo. Sei porque sou contra; sei porque sou a favor, mas nunca decidirei, em definitivo, em que me fica este pêndulo a que chamam coração/razão: oscilo.