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6.7.08

Bajulando, agitando a juba, vigiando,*

tornozelos de porquinho, arrasta os seus pneus, alguns números acima da cintura que nunca teve marcada. Desliza por entre os prédios dos subúrbios como se acima da humanidade, passeia o canídeo e proclama que tem "um blog", encostando os múltiplos refegos aos amigos que faz, mão papuda sob o triplo queixo, dando-se uns ares, fingindo-se de intelecto pleno. Segue percurso, pavoneando o que de sua vida já não é privado e desprivatizando o que de muitos é suposto segredo. Pensa-se de olho clínico, tem língua de bisturi. Não podendo dar bengaladas, acena com tautaus a quem não faça vénia. A prole, profusamente usada para tecer engodo, é rede de lagrimazinha fácil, xuxus da matriarca que toda se alcovita se fareja fresca possibilidade de escalada ao grau de "socialmente existente". Poderia ser a Mónica de Sophia, mas falta-lhe a classe no cinismo. A panjorquice faz de si lugar-comum, leva-lhe para o chinelo o pé histriónico que escolhe samba em vez de valsa. Se na sua rua houvesse cabines telefónicas, seria super-qualquer-coisa, mas querem fazer-me crer que há ali muito artifício. Será Ma Baker, será a Bonnie em triplo peso, será, talvez, uma coelha Jessica. Abunda. Tresanda. Repulsivamente ostensiva, as muletas, tiques de linguagem de estação de metro com chiclete em boca aberta fazem-lhe ninho entre a mão bojuda de onde nascem teatrinhos de cordel. Acusa tendência para fazer saltar a sopa por sobre a varinha mágica, apresentar nódoas em superfícies sujeitas à social observação, pecar por excesso, odiar os felizes. Se lhe fosse dada uma line em punch de filme americano, ser-lhe-ia, por certo atirada esta: «You try too much... That's why you stink...». Por isso só, reconhece-se-lhe o direito a desodorizante com talco incorporado, de boa marca, para usar nas vernissages. O seu drama é-lhe superior: nasceu para ser a nota de rodapé com que os banais assinam a passagem pelo mundo antes de se lhes esfriar o céu da boca, mais dia, menos dia; mais adulação, menos adulação; mais fúria, menos vesícula. Tendo subido à categoria de reprodutora, suspira a satisfação da paz podre com o mundo. Conceda-se-lhe um afago: é legítimo. Tão humanamente legítimo como é verdade cortante que também a morte lhe encherá de terra a boca com que destrói. E Saramago há-de acenar-lhe de longe, quase condoído, desde a sua Passarola de génio. Nos seus sonhos - os do simulacro de mulher à qual deixo a homenagem devidamente acompanhada da continência que se faz aos líderes - afaga o Nobel da sociedade recreativa do seu bairro. Um dia, poderá dizer-se que existiu, pois efémeros são os frutos da vaidade: seca, seca, pénible herbe folle!
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* panegírico invertido à digna representante da lusa fêmea que tem, por força, de afirmar-se. Amem-na! Ela precisa.

4.5.07

2.4.07

Era


uma vez um dia. Chamaram-lhe, dos de Abril, o primeiro. Diz-se que nesta fase nascem as grotescas mulheres-carneiro (nunca conheci uma que não fosse ignóbil, tudesca e infeliz ou as três coisas em feixe e imagino-as - a todas e não, não lamento - com mau hálito, de fel feliniano e péssimos acordares, o que as embarca, de todo, no asco do néant).
Quando acordei, saltei em cima da cama como os miúdos dessa gente malcriada que se hão-de drogar um dia, enfeitei as horas com gavinhas em entrelaçamentos de sinuosas curvas ao som da quinta música dos Gotan e dancei descalça pela casa. Portava-me descaradamente mal e sabia-o. Tive fome - o estômago rugiu, enfático - e lancei-me na direcção da geleia nas tostas com leite branco, magro, morno, insípido mas azedo. Soube-me bem, contudo. Atirei ao ar as peças do pijama e as interiores em seguida - ele não drmiu cá, pelo que tive mais frio mas acordei vestida, o que é, por si só, uma maçada, mas dá jeito para o pequeno-almoço - e assim fui, tangoleante (odeio tudo o que o orangotango implique - chamo-lhe assim, ao simiesco tom da dança porque as mulheres parecem, nele, bonecas de trapos nas mãos de um rústico), casa fora, já despidinha até ao duche e, apesar da violenta contradição de dançaricar algo que me irrite, posso afirmar que bem disposta estava, estava. A água sentia-se ansiosa por escorrer até ao mar de novo... Viria a fazer-lhe a vontade, mas por ora, deixava-a presa em banho-imersivo : acordei uma hora depois, já fria, a pele já ofelializada*, mas o nenúfar* não estava nas minhas mãos. Estaria, agora, no peito, asfixiando-me para sempre? Tant pis, je m'afolle et je m'en fous! Raios m'a partam se não sou feliz quando escrevo sobre controvérsias e se isto é mentira, vai já outra! Irritas-me, sabes? Não gosto nadinha de ti, pá, palermita, pacóvio, andacákésmeu!


;0)

* Bom dia, Shakespeare, pavão de palavras acertadas pelas mesmas cores das penas!
* Bom dia, Boris Vian, délicieux taré que j'aimerais avoir intellectuellement, amoureusement, sexuellement connu (não necessariamente por esta ordem)!

30.1.07

Mais do mesmo: Mitos[es] Urbano[a]s

. Afinal, o suposto Mito Urbano relativo a informações avulsas de violações em noites discotecárias é mesmo baseado em relatos fidedignos. Segundo consta, medicação que inviabilize reacções defensivas e memorização dos factos e dos rostos circula nas noites dos E.U.A. e da velha Europa. Pensa-se agora introduzir nessas drogas algo que as altere, deixando rastos do seu uso nas vítimas. Na notícia radiofónica, referia-se a "responsabilização" dos farmacêuticos na venda de fármacos contendo o princípio activo representado por iniciais que não fixei...
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. Como me tinham dito os mais avisados, a entrevista da Goulão, tal como a da Quevedo (aguentei 3, 4 minutos de cada uma) foi [com licença] "uma merda". Assim me dizem, assim confirmo, sem mais a acrescentar além do facto já de si repulsivo: "vozes sem duende*". Uma alma é uma voz.
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. O blog que o meu amor identifica como o melhor dos dezasseis (!) que criei desde 2003 tem tido as visitas suficientes que me mereçam novos posts por estes dias. Já tinha saudades do que é vetusto e venerável. Tentarei colmatar o facto ouvindo mais a Antena 1. Mas não aos domingos. Não aos domingos. Qualquer humano não-néscio, minimamente inteligente percebe que o Rolo Duarte pretende (ainda e sempre) apoucar os blogs. Tem conseguido. Com amigos como estes...

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Definitivamente, a Mitose que dá título a este post deixa-me apreensiva e aqui fecho a minha escrita circular e agridoce: as células dividem-se sempre reproduzindo-se em iguais... não era?...

Boas noites, mundo. Ah, Metropolis... Ah, Fritz Lang...
* expressão de Garcia Lorca, aqui usada sem a autorização do amigo que dela faz bom uso. Salvé, señor!

17.1.07

Adstrito

. X vai finalmente publicar; outros se preparam para tal; a mim, já mais faltou...
. I. melhorou da "inflamação pulmonar" (?);
. K no trabalho: perto de inusitadas realizações, resisto a um semi-deus que aprendeu a ocupar o seu lugar & aposto a vida que nenhuma outra o rejeitara antes (confuso, confuso, he wonders... "why the hell...") Pobres homens ricos e belos!... Só o carro que conduz já pagaria a minha casa... Digo para mim, riso matreiro colado à boca: Go to hell, baby!!! There's a mind inside this body!;
. Queimo um incenso (na caixinha azul-cobalto figuram os belos, misteriosos dizeres «Satya Sai Baba - Nag Champa - Agarbatti» Eh pá,tu lá sabes...); oiço os liverpoolianos em Here Comes the Sun e depois os já mais escurinhos Temptations com Papa Was a Rolling Stone ali no FineTune ao ladinho, perto do meu risinho; abano a carola; saboreio pão mal cozido com chocolate preto; bebo Frize de limão (organisminho meu, aguenta-te, sim?); digito a correcção do teste número 3 para a criançada; saio desta esfera de influências e fixo-me no cristal de quartzo-pirâmide que hei-de oferecer a quem dele se mostrar merecedor (creio que será um sortilégio para libertar-me de certo bonito com porte de Adónis entradote, digo-lhe, assim à lisboeta-estúpido(a)-tia-loira-de-T'lhârash ô d' Cascásh, corpo-em-barrica miss piggyzesca, riso falso de rictus que finge voz risonha p'ra espantar tolos: ôça lá amig', 'zapareça-me da frent' q'eu já nãinhand'a vê bãin, pcébe, ó jaitôz'? Então vá...")
. Shhht, FECHAR OS OLHOS!!!
Anita Baker
(deusa, deusa, deusa!)
canta
Body and Soul...
(ali na minha music box, ao lado)
MMMmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm...
Dá-le, mostra-les, Anita!
Tásse! :0)

4.1.07

Estado (in)civil: feliz.

- Alguém ter dito em mais do que uma reunião de conselho de turma que a nossa é a aula preferida da criançada;
- Sairmos da quadra natalícia mais magrinhas do que entrámos;
- O mais belo espécime masculino no qual nos poisaram os olhos (Ai meu Deus, a tentação, o odor, os movimentos, as mãos quentes, os olhares de fogo daquele homem!) ter-nos escolhido de entre uma multidão de galináceos e, melhor ainda, sem que para tal - e respeitando uma velhinha convicção - tenhamos movido um cabelo, uma unha, uns olhos brandos e piedosos (quem somos nós afinal, hein (pá)? O lado Allumeuse que todas as mulheres têm esbraceja dentro do meu corpo formatado para o bom comportamento... Aiii);
- Termos de prender os cabelos e vestirmo-nos formalmente para que algumas pessoas não se ponham a olhar-nos descaradamente na rua (o meu pai diz que a família tem por hábito olhar a direito para os olhos dos outros, tentando ler-lhes a alma e que os outros vêem a nossa luz: guilty as charged!);
- "Certas e determinadas pessoas" (horrível expressão dos pleonásticos lisbonenses) oferecerem-nos gadjets e roupinhas interiores que teriam feito sorrir muito pouco a nossa mãe, mas nos dão a perfeita noção da perturbação causada na memória que nos interessa reavivar, enxamear, afoguear (segura-te, rapaz!);
- Termos poder de encaixe para levar a bom termo uma conversa com um alcoolizado num café sem perder a classe, o sorriso doce, estender-lhe a mão, ele tratar-nos por senhora-menina, elogiar-nos os pais: é incrível o que se aprende com as pequenas histórias que nos roçam os dias ( e Deus insiste em enviar-me sinais!);
- Os amigos que a vida de nós foi afastando (muito tempo, muito espaço) prezarem-nos como no primeiro momento!
- A nossa criatividade trazer-nos às pontas dos dedos histórias sistemáticas que nos apressamos a anotar e guardamos em gavetas com prazos de abertura bem calculados, exactamente como a nossa língua se acastanha de um delicioso chocolate preto que, amargoso e doce, se encaixa nos cinco sentidos a ponto de trazer ao corpo a reclinação dos rendidos e aos olhos o fechamento húmido do prazer.
Olá, 2007!
:0)

26.11.06

Pausa

no meu espírito (altamente) científico...
;0)