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24.2.10

(E)s(t)ou feliz porque...



Ontem, vi um homem da recolha do lixo devidamente "uniformizado" que, em vez de sorrir para os seus botões, sorria para o velcro do verde fluorescente do seu "camicasaco" e... tinha phones! Estaria ele, como eu, viciado nisto?




;o)

1.4.09

Brand new

.
Exultei: tinha, finalmente, uma garagem!
Poderia, agora, executar
com limpeza e elegância
- condição sine qua none -
o plano: suicídio monóxico...
.

9.6.08

Declaração de IntenSão*

Cada vez menos me sinto das poucas pessoas que, neste simulacro de país, esperam uma retumbante derrota no maldito Euro. Essa espécie de circo que me enche a vista de vermelho e verde a ponto de já quase odiar as cores nacionais, é tóxica e ocupa demasiado tempo de demasiadas vidas. Dixit.
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* IntenSão:
Intensidade. Aumento de tensão. Fenómeno de cicatrização duma ferida. Preparação dos órgãos da fala para a pronúncia de um fonema.

29.12.06

Danço, danço, danço...

Roupas negras e justas nos sítios certos,
ancas muito longe, na medida, da cintura de vespa,
curvas a perder em vertigem quem repare,
seios alerta, na direcção de quem eu gosto,
coxas em torneados de centímetros certos,
ombros e braços e colo cor da neve que cai à noite,
cabelos com o corte a que chamam sexy os homens em volta
(os que me conhecem mas não sabem ainda
que eu odeio a palavra como odeio todo o óbvio, mas sorrio sempre),
olhos com sombra negra, ar decadente que a pele nega,
boca vermelha como a luxúria, dentes de neve infantil,
brilhos de olhares em verde musgo-Eva Green
que te marcaram
desde que te vi, perco-me no sinuoso
danço para ti como nunca me viste fazer antes.
Danço, danço, danço,
dou-me inteira
aos teus olhos semicerrados da malícia
que só eu te sei provocar
nesse cérebro que adoro,
fervilhante das palavras que me alimentam pelas noites.
Quero-te como nunca, como da primeira vez,
quero-te como anátema, como fome só minha.
Dou-me por inteiro às noites só nossas,
brindo à vida que em mim sinto sempre
que me seguras pelos pulsos e
tornas em suave batalha
a mansidão do teu chão onde ondulo como danço.
E queres e tens; e eu quero e tenho
nestas mãos acriançadas,
navegam os teus cabelos em vagas que retenho,
o teu nome sabe-me a sal,
a fogo, ao vinho que nunca bebo mas desejo contigo,
a noite há-de ser só nossa para sempre.
Só para ti, apesar da multidão,
a loucura do balanço a que entrego toda a que sou.
Ensaio os gestos, os passos, as vozes
a que terás direito quando as doze nos
disserem que já é dia 1...
Esperarei, então, que me despenteies
com a elegância a que me habituaste
- antes da sofreguidão das bocas e dos corpos
em suave luta até que a manhã se faça plena,
ama-me devagar por longo tempo: terás o céu -
homem, senhor, semi-deus,
escravo meu...
[ih ih ih... Ena ena, aposta ganha! :P]

10.12.06

Des odeurs

Comme un Jean-Baptiste Grenouille*, je retiens les odeurs du monde tel que ton sexe se retient désormais en moi. Mon corps ne peut pas garder cette responsabilité qu'est de rester dans ta mémoire à plus jamais. Je n'ai rien fait pour t'ensorceller, tu sais? Et pourtant, tu m'excites à bout de souffle, à perdre haleine, à la folie, à mourir très, très lentement. Au fur et à mesure, je deviens la chanson de Francis Cabrel qu'à voix très basse, j'ai chanté pour toi quand tu m'as fait cet amour qui m'atache à la vie, justement quand l'âge des femmes mûres me dit que la mort approche... Après nos petites morts, l' Autre Côté m'embrassera. Pas avant la fleuraison de nos corps brûlants de passion.
* Le parfum, Patrick Suskind

1.12.06

Wish granted!

- Assim, angulosa da magreza és ainda mais fêmea. És tão linda que até dói. Dóis-me...
Sorriso pensativo. Beijou-o, então, no interior dos lábios, deu às mãos dele a forma das suas ancas em ânfora, gemeu do prazer que dão os olhos fechados em profundidade, uma cega que vê com dedos mornos e se exprime com saliva em lábios cheios. Dedos enterrados nos cabelos, ouviu-lhe os lascivos murmúrios na orelha pequena e sedenta. Retribuiu: desesperou-o de desejo. Na busca dos milímetros certos das mútuas bocas, acidentou-se nos dentes dele: soube-lhes o beijo ao sangue dela, que ria, na desfaçatez da ferida provocada.
- Agora doemos os dois...
Ele estancou-lhe as palavras com beijos por entre os quais o ar entrava a custo. Cianóticos da delícia, tiveram de descer à horizontalidade irracional do leito que, vazio, era a promessa de manhãs quentes num Outono onde as noites nunca chegavam para tudo...

5.11.06

Sinais exteriores de...

...*
~~~Dói-nos o peito. A dor aumenta se, ao respirar fundo, nos vêm à memória aquele rosto, o andar, o riso, o odor de um after-shave. A respiração faz-se mais funda. A dor continua. A respiração acelera-se. Revemos risos, recordamos frases, baixamos os olhos, relembramos o toque morno do primeiro aperto de mão, o oficial, o primevo dos toques. Tudo o anterior é em câmara lenta, ao estilo d' A Lentidão de Kundera e nós somos as mulheres voluptuosas que Kundera saboreia com palavras. Queremos fazer permanente a presença de um corpo que estremece se passamos. Estremecemos também. Desde as fundações até aos fios de queratina ardentes de ruivo a que se convencionou chamar cabelos. O outro corpo encara o nosso e abraça-nos de olhares. Enlaçamos de volta, lavadas em riso. Cora-se, por vezes, por pudores que deliciam a outra parte, o outro corpo que já imaginamos parte do nosso. Unos. Trinos. Há volúpia nas golfadas de ar que nos devolve a atmosfera e sabemos parte do que o outro também fará suas. Devolveremos vapor de água que será uno quando humedecermos as janelas dos quartos partilhados. Queremos ser o pedaço de pão que o outro abocanha, o sumo que bebe e lhe humedece os cantos da boca, limpar com beijos pequenos e lentos, um de cada vez, em desenho recortado, a humidade do sumo que lhe dê brilho aos rebordos de uma boca que queremos mais do que ao pão que o nosso estômago reclama. Queremos ser a colher com que rodopia o aromático café que inala sob os olhos. Queremos ser inaladas por toda a extensão onde haja poros. Queremos do outro corpo todos os poros como um terreno que conquistámos sem luta, porque não acreditamos em conquistas óbvias e desde o primeiro momento estava escrito que estava escrito que estava escrito (estava!) que seria aquele nome entre os nossos dentes-infantis-de-neve-limpa, entre os lábios-rosa-pálido-húmido como auréolas de seio que nos coroam a mucosa-boca, sobre a língua vermelho-cereja inflamada do sangue que lateja quando dizemos aquele nome. Queremos acordar com aquele nome. Acordamos com o nome, um dia acordaremos com o dono do nome que chamámos no vazio, entre mantras Aummmm - Om Klim Krom - Nam Myoho Rengue Kyo - Amo - Eu amo?... Aummmmmmmmmmmmm, dizemos. E diz-nos o corpo que está feliz. A cada passo, somos gulliverianas deusas com o dom da ubiquidade, voamos com asas nos pés, mercurianas, dom da palavra, a nossa dicção que o homem bebe como bebe hidromel. Queremos eternizar o nosso nome na boca dele, recordar a delícia da língua que colámos ao céu-da-boca quando ele nos disse, pela primeira vez, o nome que nos deram aqueles que mais nos amam, os nossos pais. Ele honra o nome que para nós reservou o sangue dos antepassados hoje volvidos pó. Sabemos que tem de ser, que sofreremos mais do que mãe que vê o filho a caminho de uma guerra, que nos fará esperar horas a fio enquanto se entrega a afazeres inúteis do seu dia, que um dia lhe veremos as costas enquanto outra mulher nos tomará ceptro, trono e senhor. Sabe-se tudo, mas a entrega está ao nível de um nirvana particular, um jardim secreto pequeno como a cabana que fazíamos com a mãe sob os lençóis da infância, um lugar recôndito e sem fim à vista, pleno de arcobotantes e colunas de todas as minas de Mória do Senhor dos Anéis. Neste sonho há elfos: somos nós a sua rainha, orelhas desiguais, rosto magnético, olhar perdido no vago. Algures, no horizonte, um caminheiro viu-nos no banho do rio, cobriu-se de cobiça, deu-nos suave caça, aprisionou-nos no seu peito. Liquefeitas, estaremos prontas para a entrega de todo o património de alma que juntámos. Trazemos dores, apreensões, fundas alegrias como a do corpo em flecha sob a água da piscina, aguentando a respiração a caminho de Deus, ondulando de prazer. Sem culpa nem mérito, estendemos a paixão até limites de palavras cujo significado nos saberá sempre a novo. Tudo nos sabe a novo. Espera-se o melhor. Não se espera nada, mas dá-se tudo. Nus, ausentes da Força, estaremos sempre aptos a que nos rasguem a fome de ternura. Dilacerados, teremos a certeza de ter vivido. Gasta-se a noite em pensamentos, planos, conjecturas e tudo vai dar àquela boca, àquelas mãos esguias e cálidas que nos marcaram para sempre, aos nossos olhos encerrados a todos os outros que existam em volta. Quer-se morrer de prazer. Morrer-se-á. No dia em que a nossa vida recomece e tudo nos saiba a novo. Renascidos, saberemos então que Ser caprichoso é este que nos habita o peito em dor permanente. Inala-se o fogo, lábios entreabertos, olhos fechados. Silêncio do Potala. Tecto da vida. Coração a compasso,seguimos o som da voz que nos chama do éter. ~~~

* Paixão...?