21.2.06

A história trágica do «pro-activo»



É um termo hoje corrente no dialecto da gestão. Não há gestor 'actualizado' que não use o «pro-activo» uma boa dúzia de vezes. Mas a maioria de nós não imagina sequer como surgiu o conceito. O seu berço é trágico, e Claus Moller conta a história com a seriedade adequada que gera um silêncio de cortar à faca. Foi Viktor Frankl, um psiquiatra e neurologista judeu, que gerou o termo. Ele era um judeu austríaco famoso conhecido por ter cunhado nos anos 30 o termo «existencialismo». Foi preso pelos nazis e encarcerado durante três anos em Auschwitz, Dachau e outros campos de concentração. Foi naquele contexto trágico que idealizou a atitude «pro-activa». Toda a sua família foi dizimada nos campos. Mas a sua atitude básica não mudou. Ele designou-a de «última das liberdades humanas - aquela que é impossível liquidar». «O nosso maior poder pessoal é a nossa liberdade em escolher a resposta. Não é o que nos acontece que nos magoa, é a nossa resposta a isso que o faz!», dizia ele. Foi esta sua atitude positiva de força interior que o manteve de coluna direita e que lhe permitiu aguentar o sofrimento extremo. Em liberdade, teorizou o assunto: a pro-actividade é basicamente a responsabilidade em saber escolher a resposta e em evitar ter a reacção 'pavloviana' do ódio inconsequente ou da servidão. Viktor Frankl escreveria, depois da derrota nazi e do fim do Holocausto, uma obra que o tornaria ainda mais famoso - A Busca de Sentido pelo Homem, que seria traduzida desde 1946 em 23 línguas e venderia mais de 9 milhões de cópias. Ele fundaria em Viena, a sua cidade natal, uma escola de psicoterapia e criaria o Viktor Frankl Institut, tendo falecido em 1997.

Daqui.

I *

«um dia destes

Inês Alva, querida:

A expressão nos teus olhinhos é como o algodão, não engana: tu e o teu maninho , na fotografia de infância, parecem os bórgias - em ambos se notava já a demência degenerativa que haveria de os assolar na idade adulta e que, no teu caso, minha pobre querida, te haveria de dar para o permanente delírio, à espreita das vidinhas boas das outras, que têm aquilo que tu nunca terás: um homem e filhos, para gozar e amar. Eu sei que deve ser difícil não poderes acordar com alguém que te ame a teu lado, e não poderes gerar descendência, sangue do teu sangue, e não saberes o que é o cheiro da pele de alguém que saiu de dentro de ti, não sentires a doçura no olhar do teu homem, ao ver-te amamentar... eu compreendo a tua amargura e a tua solidão, minha amiga. Ninguém gosta de ser enganado. Por isso odeias tanta gente e vives a tua vidinha patética mergulhada na existência de outras mulheres que te desprezam e se riem de ti com gosto, a maluquinha da blogoesfera, a tonta, a tolinha de Azimutes. Um dia destes, minha cara, quando menos esperares, tomo a auto-estrada do norte e espero-te à porta da escola, faço-te uma visita, vamos conversar. Vejo que estás amarga, que estás a perder a noção da realidade, que te estás a tornar um perigo para os teus alunos, que não te conhecem ou que talvez não tenham reparado no teu olhar de Rosemary's Baby. Precisas de desabafar, minha amiga. Podes fazê -lo comigo, serei compreensiva, prometo. E, olha, um conselho: eu sei que precisas de conversar, mas não vale a pena abrires os comentários, ninguém te diz nada, pobre, ninguém quer saber, a não ser aquela meia dúzia que se diverte com a tua loucura (poupa-te a mais essa humilhação, pelo menos; é muito confrangedor). Também não vale a pena vires com a conversa do "amigo imaginário" - é patética, minha querida e, convenhamos, ninguém acredita nessas balelas de solteirona parola, com imaginação a mais e sexo a menos. Ficamos assim, então. Um dia destes.

bjinho»


II *


«ah ah ah!

Cara Inês Alva,

ao contrário de si, que finge ter amigos que lhe dão conta dos blogues que não lê, eu tenho de facto amigos que me avisam a cada vez que você disparata e resolve meter-me ao barulho naquele seu blog esquizofrénico. Soube agora que me acusa de lhe ter plagiado três palavras e ameaça-me com a SPA! O que eu já me ri hoje à sua conta, Inês! Você é impagável nos seus delírios, não há dúvida.... Obrigada por estes pequenos momentinhos de boa disposição. :) Agora, um pequeno conselho: Ponha-se a mexer e faça bicha na SPA à primeira hora da manhã, porque a dita frase (e outras) vai MESMO sair em papel, ao contrário do seu arrazoado ilegível, que não sai em lado nenhum. Tenha juízo e olhe-se ao espelho! Mas quem é que se iria dar ao trabalho de ler e copiar (????) a sua óbvia falta de talento, a sua verborreia parola a que ninguém liga a mínima? Pobre coitada, três anos depois, e ainda nesta vidinha...deve ser um desconsolo. As melhoras, é o que lhe desejo.

Cumprimentos»

* De um ser vivo que se identificou: óbvias simpatias pelo revisionismo. O Tempo há-de fazer-lhe a vontade: apagará o seu nome. Eu já.

4 comentários:

Rosa disse...

gOSTO DO QUE ESCREVE E COMO ESCREVE.
Apesar de não me identificar muito com a literatura em geral, aprecio a sua prosa...

Uma amiga, se quiser
Rosa Leonor

Anónimo disse...

Boa noite, Rosa L.

Agradeço profundamente a gentileza e a amizade que me oferece tão prontamente. Espero estar à altura.
First things first: tem um nome muito bonito. Já conheci alguém com um igual.
Um destes dias visito-lhe o blog: reuniões intercalares, muuuuuuito trabalho, uffff!...

1 abraço.
Inês Alva
:0)

Anónimo disse...

Se o teor dos mails (e que, presumo, sejam verídicos) que aqui revela não fosse pateticamente kafkiano seria, no mínimo, assustador porque semelhante loucura só pode ter origem em mentes, essas sim, criminosas e profundamente perturbadas. Anda tudo doido ou há gentinha tão patética, desocupada e sem vida própria que se dedique a este género de esterqueira via mail para se mostrar a quem, ao que percebi, nem sequer conhece? E, pelos vistos, é gente que escreve em blogues? E tem «amigos» cuja ocupação é avisarem a criatura de não sei quê (nem consigo perceber, Jesus!)? É absolutamente inconcebível! Não a conheço a si mas permita-me uma sugestão: ignore-os. É a única coisa que não tolerarão, tudo o resto apenas servirá para lhes fazer babar o fel que produzem à míngua de amor.

Sª Fernandes (não-blogger)

Anónimo disse...

Boa noite, Sª Fernandes.

(peço desculpa, o "Sª" é de...?)


Quem enviou os mails ficará nos meus segredos.

1.Tudo começou porque houve uns comentários num blog que já chegou a ser divertido (apesar do teor obsessivo), mas perdeu qualidades porque se tornou amargo, provocatório, lugar onde se rebaixava com alusões dúbias o que depois se passou a idolatrar (falta de coerência);

2. Fui das 1ªas comentadora (embora nunca me tenha aproximado muito pela firmeza de um carácter ab-so-lu-ta-men-te independente e granítico) e, supostamente, quando o tal blog começou a recolher os frutos da sua duplicidade, houve quem lá tivesse escrito comentários patéticos, insultuosos, até. Supostamente, era o meu "estilo": paguei pelo crime de outros. Fui insultada, (até a minha santa mãe foi insultada) por gente que nunca tinha lido, sequer, uma linha do Azimutes e, em nome da amizade, se uniu à tal pessoa que se vitimizou. A net era muito nova para mim. Nunca imaginei, Pai do Céu... Eu deveria ter ignorado e não consegui, eis tudo (mudei como pessoa, tornei-me mais intolerante, envelheci dez anos, nunca lidara com tanta maldade, nunca tinha sido, sequer, insultada numa vida que se perdia na mais pura infância, apesar da frontalidade, porque serei sempre insubmissa a compadrios e nada temo no mundo);

3. Quem enviou os mails diz nutrir amizade por quem se sentiu "lesado". Além disso, denunciei algum compadrio que, em solo português, é mato, não fiz vénias a alguém supostamente importante, criei um título quase-nobiliárquico de tão irónico(nada a ver com vida privada, Deus me perdoe, mas as conversas de salão, as intrigas, o quase-sanear de quem não leia pela cartilha nem lamba botas, etc). Quem recebeu o título merece-o amplamente e faz disso prova constante, mas enfim, outras histórias...
Ainda hoje vigiam este blog. Sei quem são (núcleo duro de umas cinco, seis pessoas), onde trabalham, com quem lidam, sei de factos não reveláveis de tão graves (à luz pessoal e profissional e por uma questão de ética, o assunto morre aqui). Morrerão comigo, esses dados.

4. Quem interpretou (minha família, amigos, tem uma única explicação que se pode facilmente deduzir e o pudor me impede de aqui expôr);

5. Aprendi muito. Aprendi, por exemplo, que uma mamã se esquece de que o é em nome do ódio e tive provas de que aqueles poucos bloggers cujos blogs aqui elogiei foram rondados e até assediados para exporem quem sou. Nem os que elogiei sabem quem sou.
Eu não sou.
"Inês Alva" não existe.
Inventei-a, numa tarde clara de pura felicidade. Criou laços, paixões e ódios e, embora não sofra de esquizofrenia, a "Inês" chega a fazer-me sombra! Tem mais sucesso do que eu! Por causa dela e das suas ficções, já me chamaram doente bi-polar, com diagnóstico na net e tudo, criaram blogs para o insulto gratuito ("mal-amada" era um deles e as ligações entre estas pessoas tornaram-se vício de forma)...
Existe uma banal professora do ensino secundário que, pelos vistos, atingiu em plenas feridas (há quem lhe chame "partes baixas") pessoas habituadas a que se lhes preste vassalagem. E sim, criei polémicas com um segundo blog de outros supostos intelectuais muito aclamado pela populaça, mas... será que a tão propalada "liberdade de expressão" e o liberalismo são só para um dos lados da barreira? Acredite: há muito de política em tudo isto e eu - que nem disse em que é que acredito - fui linkada por liberais!!! Enfim, podia ser pior...
Junte a isso um certo poder psíquico que tenho para adivinhar as pessoas pelo que exprimem, desde os movimentos, passando pelo modo de falar, o tipo de vida, as amizades que fazem... Dê-me dois pormenores de alguém e adivinharei quase tudo sobre a pessoa... (Só não acerto em jogos de azar!) Tenho uma intuição que me assegura com um baque violento do que cada um tem no lugar da Alma. Sim, sou psíquica em certo grau suave... (mais não digo, não vão os cintistas crónicos lapidar-me... Eu e Deus cá sabemos);

6. No meio de tudo isto, está uma gravíssima traição (quem o fez verá os meus olhos numa data precisa, quando eu sentir que sim e perceberá a que ponto me destruiu a vida que então tinha), abusos de poder (nem imagina como!), vontades cegas de aparecer (ao contrário de mim, que amo a serenidade de não ter de prestar contas ao mundo), o plágio (que, como se vê, passará a papel) é apenas mais uma forma de provocar-me (A expressão "***** às ******* um ****" é suficientemente extravagante - típica da minha escrita desde que apareci a 22 de Maio de 2003) - para se perceber a cópia), etc, etc, etc.

Pronto, está explicado.
A pessoa que me ameaça veladamente no 1º mail não teve problemas em identificar-se. O seu nome dará que falar, daqui a tempos, sei-o. Tem os amigos certos para isso -coisa de que se gaba o grupo frequentemente - uma vez que não foi dotada com talento que ultrapasse o pasquim, uma escrita estafada, cheia de lugares-comuns, vulgaróide, achincalhante, doentiamente previsível, pejada de cinismo e denotando um certo vazio que não vale a pena aqui esmiuçar, porque se notará à distância. O talento é parco, mas em Portugal sabemos que venderá. É pena ver-se uma mulher negar o seu lado-Alma... Tarde de mais para ela. Talvez goste mesmo de gente em volta, é tudo. É legítimo. A festa a quem a procure. É legítimo.

A minha escrita é ácida, por vezes, acusadora, sofrida, mas tem algo de muito específico. É uma outra coisa. Fé. Gostos. Mera questão de gostos.
A senhora em causa tem o seu séquito. Trabalhou para tal: Deus lhe dê o dobro do que me desejar. Fico bem.

Não será por mim: não lhe comprarei os livros, embora vá sorrir quando, ao folheá-los, encontrar marcas da minha escrita (o melhor elogio é o plágio). Estarei entre o seu público: serei a única que não aplaude e se retira em silêncio. Tal personagem merece ser "glorificada" no romance que acabarei logo que termine um singelo Mestrado.

Sabe o mais engraçado? Se tal ser vivo tivesse, alguma vez que fosse, visto uma nesga do meu sorriso, saberia que cometeu um crasso erro ao minar as amizades com ódios, ao perder tempo que, de certeza, deveria ter gasto com os filhos que tanto diz amar.

Adiante.


Ufff... Não tenho poder de síntese!
Imagino que pouco percebeu do que escrevi, mas perceberá - se até aqui conseguiu chegar - o essencial: sou uma mulher tão feliz que até dói fisicamente... Quase me sinto culpada... Paz.

Obrigada.
1 abraço.
"Inês Alva"
:0)

TUDO SERÁ APENAS O QUE TIVER DE SER.